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quarta-feira, dezembro 13, 2006

Um conto de Natal





Um conto de natal

É apenas um pequeno envelope branco pendurado entre os galhos da
nossa árvore de Natal. Não tem nome, não tem identificação, não tem dizeres.Se esconde entre os galhos da nossa árvore há cerca de dez anos. Tudo começou porque meu marido Mike odiava o Natal. Claro que não era o verdadeiro sentido do Natal, mas seus aspectoscomerciais: gastos excessivos, a corrida frenética na última hora paracomprar uma gravata para o tio Harry e o talco da vovó, os presentes dadoscom uma ansiedade desesperada porque não tínhamos conseguido pensar em nada melhor.Sabendo como ele se sentia, um certo ano decidi deixar de lado astradicionais camisetas, casacos, gravatas e coisas no gênero.Procurei algo especial só para o Mike. A inspiração veio de uma forma umtanto incomum. Nosso filho Kevin, que tinha 12 anos na época, fazia parte da equipe deluta livre da sua escola. Pouco antes do Natal, houve um campeonato especial contra uma equipepatrocinada por uma igreja da parte mais pobre da cidade. A equipe era formada, em sua maioria, por negros. Esses jovens, que usavam tênis tão velhos que tínhamos a sensação de que oscadarços eram a única coisa que os segurava, contrastavam de forma gritantecom nossos filhos, vestidos com impecáveis uniformes azuis e dourados etênis especiais novinhos em folha.Quando o jogo começou, fiquei preocupada ao notar que a outra equipe estavalutando sem o capacete de segurança que tinha como intuito proteger osouvidos dos lutadores. Era um luxo ao qual a equipe dos pé-sujos não podia se dar. No fim das contas, a equipe da escola do meu filho acabou arrasando com eles.Ganharam em todas as categorias de peso. E cada um dos meninos da outra equipe que levantava do tatame se virava comfúria, fazendo pose de valente, procurando mostrar um orgulho de quem nãoligava para a derrota.Mike, que estava sentado ao meu lado, balançou a cabeça, triste:Queria que pelo menos um deles tivesse ganhado, disse. Eles têm muito potencial, mas uma derrota dessas pode acabar com o ânimodeles.Mike adorava crianças - todas as crianças - e as conhecia bem, pois tinhasido técnico de times mirins de futebol, basquete e vôlei. Foi aí que tive uma idéia para o presente dele.Naquela tarde, fui a uma loja de artigos esportivos e comprei capacetes deproteção e tênis especiais que enviei, sem me identificar, à igreja quepatrocinava a equipe adversária.Na véspera de Natal, coloquei o envelope na árvore com um bilhete dentro,contando ao Mike o que tinha feito e que esse era o meu presente para ele.O mais belo sorriso iluminou o seu rosto naquele Natal. Isso se deu em todos os anos consecutivos. A cada Natal, eu seguia a tradição: uma vez comprei ingressos para um jogode futebol para um grupo de jovens com problemas mentais, outra vez envieium cheque para dois irmãos que tinham perdido a casa num incêndio na semanaantes do Natal e assim por diante.O envelope passou a ser o ponto alto do nosso Natal. Era sempre o último presente a ser aberto na manhã de Natal. Nossos filhos, deixando de lado seus novos brinquedos, ficavam esperandoansiosamente o pai pegar o envelope da árvore e revelar o que havia dentro.As crianças foram crescendo e os brinquedos foram sendo substituídos porpresentes mais práticos, mas o envelope nunca perdeu seu encanto.Esse conto não acaba aqui.Perdemos nosso Mike ano passado por causa de um câncer. Quando chegou a época do Natal, eu ainda estava sofrendo tanto que malconsegui montar a árvore. Mas, na véspera de Natal, me vi colocando um envelope na árvore.Na manhã seguinte, havia mais três envelopes junto a ele.Cada um de nossos filhos, sem o outro saber, tinha colocado um envelope naárvore para o pai. A tradição cresceu e, um dia, se expandirá ainda mais e nossos netos sereunirão em volta da árvore, ansiosos para saber o que há no enveloperetirado da árvore por seus pais.O espírito de Mike, assim como o espírito do Natal, estará sempre conosco.Vamos todos lembrar de Jesus, que é o motivo dessa comemoração e overdadeiro espírito do Natal este ano e sempre Autor Desconhecido

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